
Soneto do CA Marcos Satoru Kawanami
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CENTELHA DIVINA
para minha avó Hiroko Kawanami
No frio aconchegante do inverno paulista,
com meu fiel cachimbo amigo sempre à mão,
adejando lembranças, nutrindo a ilusão,
a eternidade em um segundo se me é vista
a ruflar com despojo leve, idealista,
brancas asas risonhas em um céu sem chão
em que tudo foi sempre, e já é o que não
poderá nunca ser, a não ser que se insista
na palavra singela aprendida na infância,
quando as mães, com carinho e ternura sem fim,
da verdade as sementes, em suma abundância,
benfazejas, solícitas, com seu suor
plantam, no coração da Humanidade, assim,
a mágica centelha divina do amor.
Marcos Satoru Kawanami
Nhandeara, SP